sábado, 12 de novembro de 2011

Quem Sou: (Passado)

Sou uma mulher transgênero - transexual MtF - nascida em 18 de novembro de 1985 na cidade de Canoinhas - SC. Atualmente sou professora, acadêmica de duas graduações, sendo uma de Biologia Geral (UFSC) e outra de Pedagogia com Ênfase em Gestão (UEPG). Atuo com um ramo de ciência natural em escola pública.

Fisicamente

altura: 1,85m
peso: 74kg
olhos: verdes
cabelos: castanhos com mechas loiras

Personalidade

Como boa escorpiana, sou vaidosa, teimosa, perfeccionista em certos aspectos, verdadeira e realista. Afirmo como defeito meu que, não tolero determinadas coisas, como a falta de educação ou intimidade, não mantenho conversas quando sou contrariada, detesto coisas tais como cantadas, pornografia e coisas voltadas para a apologia sexual vulgarizada.

Amizades

Amizades minhas são poucas, mesmo que tenho critérios para manter alguém como amigo...é aquela velha história; "Diga-me com quem tu andas e te direi quem és". Portanto, não mantenho contato com pessoas que entram em uma discussão sem entender do assunto, pessoas metidas que se acham sem ter capacidade para serem superiores ou pessoas ignorantes. Quem dirá daqueles seres que se vulgarizam, estes, em especial mantenho distância.

Paixão

A minha grande paixão, que na verdade nem paixão é, mas sim amor, pois, paixão é algo passageiro, é a biologia...a ciência em si faz parte de minha vida efetivamente ao ponto de usá-la para dar explicações cabíveis ao que ocorre em meu cotidiano. Sou realmnte uma cientista apaixonada.

Relacionamentos

* Família; meu convívio com a família foi sempre conturbado ao passado, onde sofri a pior das discriminações, ou seja, aquela que ocorre dentro de nosso próprio lar. Minha família por ser tradicionalista jamais aceitou de braços abertos a existência de uma transexual em seu seio.
Na fase de infância, mesmo reprimida, vivi como uma criança tradicional, obediente e sempre dentro dos padrões de uma boa educação.
Na aolescência, quando comecei a enquadrar as coisas na minha cabeça e descobrir quem eu verdadeiramente era, encontrei a repreensão dos pais e irmãos que, lutaram juntos contra minha condição sexual. Devo lembrar que me vestia masculina, uma vez que a família obrigava-me a seguir um padrão "correto" segundo o meu sexo anatômico de nascimento (abordarei esse assunto nas próximas postagens). Lembro-me que passei por variadas humilhações, pois, religiosos e sem uma visão ampla do mundo, cercados por costumes tradicionais locais, meus pais achavam eu estar possuída por alguma espécie de demônio, o que acarretou um sofrimento extenso, durante anos, onde eu era forçada a permanecer na igreja, pedindo perdão por ser o que eu sou. Este martírio me afastou completamente da fé cristã, pois, lá dentro da igreja, jamais encontrei pessoas abertas a me compreender, mas sim ofuscados por uma visão errônea repassada qual zelava pelos princípios éticos da mesma e da família. Enfim...aguentei tudo calada, abaixo de lágrimas, imaginando que eu iria um dia morrer e ir ao dito "inferno" uma invenção cristã para prender pessoas arraigadas nas igrejas numa necessidade quantitativa de pessoas pertencentes a mesma. Comum isso até hoje, pois pouco se vê em preocupação religiosa acerca da qualidade mas sim na quantidade (quem tiver mais membros deve ser melhor - ridículo).
Na época de escola, no local onde poderia ser meu refúgio longe dos preconceitos vividos em casa, inclusive com humilhações tortuosas e que repercutem até hoje (sou portadora de depressão)nada era diferente...o que se fala muito hoje em bulliyng era o que me destruía dentro dos muros da escola.
Desde os primeiros anos escolares, nas séries iniciais, notava-se que eu era uma menina sendo forçada a viver como menino, mas, em um bairro tradicionalista (até hoje)os professores não sabiam como trabalhar com isso e, desta forma leiga, levei o período de 1995 a 2004 - o inferno e minha vida - onde os meninos me chamavam de tudo que se possa imaginar, baixarias que a escola não implicava em tentar muar....lembro de professores (alguns)que riam junto quando eu era abordada com essas frases agressivas sobre minha sexualidade. O que eu fazia era chorar, eu era indefesa, não era apoiada pela família, pois, se eu contasse em casa o que faziam comigo na escola, meus pais diziam que a culpa era minha e, se eu revidasse, eles que iriam me bater perante todos - claro não é...a ética da família. Resumindo...somente comecei a me assumir no último ano do ensino médio, quando então sentei e pela primeira vez minha mãe começou a perceber que, por todas as vezes que me bateram e me humilharam com palavras do tipo "você não deveria ter nascido, seria melhor!"de nada adiantava. Que seja claro, jamais retruquei eles até este ponto, sempre me humilhei, então, em conversa, entrei num consenso de sair da igreja (uma das melhores coisas que me aconteceu na vida)e então, comecei a juntar dinheiro para ir embora da cidade, trabalhar em algum lugar fora, dessa vez assumida.
Sei que isso levou cerca de seis meses, e então fui embora de Canoinhas. Bem, lá eu trabalhei e vivi durante dois anos - o incrível é que, na minha ignorância, eu achava que era um gay. Fui respeitada em outra cidade, mas quando as portas de emprego se fecharam num momento e bobeira minha, resolvi voltar para minha cidade, dessa vez com maior experiência e, então, me joguei no vestibular para Matemática Plena da UFSC que acabara de abrir na cidade. Passei, bem colocada, pois sempre fui muito estudiosa, e então comecei a lecionar, já no primeiro ano em que ingressei no curso. Isso já era 2007.
Sempre tive um goto peculiar pelo uso de tudo que era feminino, mas não entendia isso, e neste mesmo ano, voltei para casa de meus pais, dessa vez pagando aluguel para os mesmos. Sempre muito quieta e certinha, levava uma vida fechada, até que minha depressão aflorou pelos deboches sofridos assim como as humilhações, de família, das pessoas na rua, etc...exceto na faculdade (pelo menos nunca vi cena de preconceito explícito).
No meio das crises de depressão, resolvi procurar uma psicóloga, pois me vi no fundo do poço, apertada por toda a repreensão da escola, da família, da vida em um geral até então. Ao conversar com esta pessoa maravilhosa que me mostrou o verdadeiro caminho da minha vida, me abrindo os olhos, percebi quem eu era de verdade, pois no mesmo ano de 2007 em que comecei a dar aulas, achei que eu me tratava de um travesti, quando na verdade eu era uma transexual. Meu deus...minha vida mudou expressamente e pela primeira vez vi a luz para todas as minhas indagações...eu era uma mulher o tempo todo e não sabia.
Comecei a estudar sobre meu próprio caso e vi que a ciência disponibilizava um acesso ao transformar minha aparência mais feminina através de hormônios e até mesmo atrofias, não pensand duas vezes, em 04 de setembro de 2007, tomei meu primeiro comprimido hormonal, perante minhas grandes amigas da faculdade, quais me deram o maior apoio. Desde então, meu corpo começou a mudar. Hoje, quatro anos depois, infelizmente meu organismo saturou dos hormônios, ou seja, não mais mudarão meu corpo com grande intensidade, somente manterão o que eu conquistei.

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