Ao desenrolar de minha vida, descobri que meu grande interesse não era mais a matemática que eu cursava, pois eu havia estudado tanto sobre a ciência para me transformar que acabei nutrindo uma paixão tão grande por biologia,mas o curso não era ainda oferecido pela Federal em minha cidade, porém, já havia burburinhos que o mesmo chegaria à Canoinhas. Levei dois anos e meio a faculdae de matemática, em meio a esse trajeto sem gosto, abriu o vestibular para Pedagogia com Ênfase em Gestão ofertado pela UEPG em minha cidade. Levada pelo isentivo de algumas colegas do curso de matemática quais iriam prestar esse vestibular, decidi dar a cara a tapa...e não é que fiquei no 6º lugar geral da colocação...Mesmo levando matemática, comecei a pedagogia, dessa vez sabendo que nais cedo ou mais tarde abriria Biologia ali no pólo de apoio presencial da faculdade. Comecei pedagogia em janeiro e, em julho passei em uma ótima colocação no vestibular de Biologia Geral da UFSC em Canoinhas.
Com tanto ânimo e alegria, comecei a cursar as duas e então abandonei matemática. Hoje, curso as duas ainda, terminarei pedagogia no fim de 2012 e Biologia seis meses depois. Segundo estudos que realizei, trato-me da primeira bióloga transexual do Brasil, já sou a primeira na UFSC, fui a primeira a lecionar no estado, porém, não posso dizer que isso seja um orgulho pleno, pois, nós transexuais deveríamos ser mais dispostas a evolução e desenvolvimento das nossas capacidades, investindo no ensino superior para nossas vidas, mas ainda há muitas que tem preguiça de se esforçar, e preferem a prostituição ou serviços comuns julgando não terem grandes possibilidades devido ao preconceito. Uma coisa eu digo...o preconceito existe, mas ninguém pode negar uma vaga a quem tem uma formação profissional, independente do credo religioso, da sexualidade ou do gênero de uma pessoa.
Hoje, vivo uma vida individualista, moro só, me viro com minhas despesas, pois trabalho como professora, passo bom tempo envolvida com minhas duas faculdades ou com meus poucos amigos, só lamento meu passado que reflete a cada instante na minha vida presente, minha depressão aflora em dados momentos, quando relembro o passado de sofrimento e ai, poucas lágrimas derramo, pois já chorei tanto, acabei me tornando uma pessoa fechada, com receio dos comentários que pudessem surgir acerca de minha condição sexual, mesmo sabendo que a sociedade me vê como a verdadeira mulher que sempre fui, prova disso são meus alunos, colegas de trabalho e pessoas que me cercam, direta ou indiretamente. As marcas ficaram, como grandes cicatrizes que jamais sumirão.
Pretendo futuramente, quando formada, mudar-me de cidade, dessa vez com o ensino superior e com certeza concursada em algum lugar, para recomeçar, tentar não olhar para as cicatrizes que me deixaram. O pior é que, de tanto ser massacrada e enganada no meu tempo de inocência, hoje desconfio de todos, chego a ter receios de tudo e então sou acusada de sempre andar "armada"com sete pedras na mão. Devo dizer que, todo o sofrimento me fez evoluir, me tornei uma mulher de caráter, pé no chão, decidida e sem grandes medos, mas receosa com o passado que tanto me judiou...não quero deixar as coisas se repetirem. Tenho grandes ambições na vida, pois, fui criada para tê-las, mas essas, só conto conforme for conquistando.
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